Leopoldina (nos bastidores do Grito)

leopoldina

 

Historiadores reavaliam a influência da imperatriz na luta pela Independência

A história oficial retrata a independência do Brasil como um movimento essencialmente masculino. Desde os primeiros anos escolares, todos aprendem os nomes dos personagens mais ilustres dessa saga, como José Bonifácio de Andrada e Silva, Clemente Pereira, Gonçalves Ledo, Almirante Cochrane e outros patriotas, como eram chamados os adeptos da causa. Todos homens. À frente deles, destaca-se Dom Pedro I, que, de espada em punho, foi o autor do gesto dramático que simboliza até hoje o fim do jugo português. Não faltam nos livros, para estes senhores, menções de glória e heroísmo. Só agora os pesquisadores voltaram-se para uma figura feminina, sensível e discreta, mas não menos corajosa e idealista: a princesa Leopoldina, a primeira mulher de Pedro I, que, aos 20 anos, deixou a Áustria para aportar no Brasil, às vésperas de o movimento emancipacionista ganhar força. Para eles, sua participação no episódio da independência foi, no mínimo, decisiva. Uma visão bem diferente daquela dos livros escolares, que a mostram sempre como uma espécie de sombra do imperador. E que passa ainda mais longe da figura melancólica, submissa e resignada que alguns historiadores insistem em reservar para ela.

Pouca gente sabe que era Leopoldina quem ocupava a regência do Brasil quando Pedro I fez sua famosa viagem à província de São Paulo, em 1822, e que culminou com a proclamação da independência no dia 7 de setembro. Ela estava no comando do reino desde o dia 13 do mês anterior, oficialmente nomeada por decreto assinado pelo príncipe. Se causa espanto saber que uma mulher já dirigiu o Brasil por quase um mês, ainda mais surpreendente é descobrir que Dona Leopoldina, despachando no lugar do marido, convocou em sessão extraordinária o Conselho de Estado no dia 2 de setembro, no Paço da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e decidiu, junto com os ministros, pela separação definitiva entre o Brasil e Portugal. Em outras palavras: a independência brasileira foi proclamada, no papel, pela princesa Leopoldina, cinco dias antes de Dom Pedro desembainhar a espada e dar seu famoso grito.

 

Fonte: http://galileu.globo.com/edic/86/conhecimento2.htm

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